Carros de Campanha em Mauá, mais afasta do que atrai eleitores
Do Jornal ABC Repórter
Há um ponto comum nas campanhas de candidatos a prefeito e vereador em Mauá: o excessivo volume dos carros de som que circulam nas ruas centrais e nos bairros da cidade. Tamanho é o incômodo que causam à população que foi necessária uma nova intervenção, pela segunda vez, da juíza eleitoral da comarca, Maria Eugênia Pires Zampol que aplicou uma bronca nos prefeituráveis e determinou o limite de 80 decibéis até as 18 h e de 60 a partir deste horário.
Um pouco de bom senso não faria mal algum aos concorrentes. Porque eles, mais do que ninguém, deveriam saber que Mauá é uma cidade de trabalhadores. E que muitos deles atuam em horários diferenciados nas fábricas e no comércio da Grande São Paulo. Nada pior, para quem deseja recuperar as energias, do que ser atordoado com músicas de qualidade duvidosa e mensagens nem sempre convincentes.
A campanha eleitoral deveria ser um momento didático para discussão de propostas sobre como melhorar a qualidade de vida das pessoas. Pelo mau exemplo de quem deseja assumir o comando da comunidade, a poluição sonora acaba provocando efeito reverso. Causa mal estar e aversão das pessoas pouco afeitas à política e indiferentes em relação à representação popular.
Fica a impressão de que alguns candidatos pretendem, literalmente, ganhar a eleição no grito.
Como é pouco provável que isto ocorra, sedimenta-se junto a muitos eleitores a decisão sobre aqueles candidatos em que eles não votarão sob nenhuma hipótese. Em resumo: muitos pretendentes ao Legislativo e ao Executivo municipal estão perdendo uma boa oportunidade de conquistar a simpatia dos moradores. Ao contrário, estão ampliando seus próprios índices de rejeição. E não perdem por esperar a vingança anônima que desembocará nas urnas eletrônicas.