Eleições 2008: Habitação, Lazer e Segurança
Por Juliana Finardi – Jornal ABCD Maior
Estima-se que o déficit habitacional será de aproximadamente 40% da população mundial em 2030, se não forem adotadas medidas adequadas para conter e solucionar o problema. No Brasil, o déficit chega a 7,7 milhões de moradias das quais 5,5 milhões estão relacionadas aos centros urbanos. Os números alarmantes levantam discussões e a questão sobre como resolver o problema da habitação popular é o dilema de muitos municípios de todo o País. Em Mauá não é diferente. A cidade tem moradias precárias e ausência de políticas públicas voltadas para a produção habitacional de qualidade e em quantidade suficiente.
É por isso que a área é uma das principais preocupações dos quatro postulantes à Prefeitura da cidade. O petista Oswaldo Dias afirma que fará a urbanização de áreas ocupadas, levando água tratada, esgoto e asfalto. O candidato, que já governou a cidade por duas vezes, diz que, ao mesmo tempo, tentará evitar novas ocupações em locais inadequados. “Isso será feito por meio de fiscalização e conversas com as pessoas que ocupam esses locais. Vamos informar que a situação de vida fica muito ruim e que são áreas perigosas”, afirmou Dias.
A idéia também está presente no programa de governo do ex-vereador Francisco Carneiro (PSB), o Chiquinho do Zaíra, que pretende tirar os moradores de áreas de risco. “Onde houver pessoas morando, vamos regularizar e proibir qualquer tipo de invasão e loteamentos clandestinos. A idéia também é construirmos conjuntos habitacionais e casas populares em convênio com o governo do Estado”, disse.
Para o tucano e vereador Diniz Lopes, fazer parceria com o governo do Estado é uma prioridade. “Antes de sair da Prefeitura, tive uma conversa com o então governador Geraldo Alckmin e ele garantiu que tinha muito dinheiro no CDHU para construirmos quantas moradias nós quiséssemos”, afirmou.
O candidato do Psol, Mateus Prado, quer implementar a aplicação de IPTU progressivo em grandes terrenos de áreas residenciais vazios. “Ou a pessoa loteia, ou constrói casas para vender. Senão, serão 15% ao ano de IPTU progressivo. Temos que aplicar as normas do Estatuto das Cidades aprovado em 2001. O Jardim Oratório, por exemplo, é uma área pública ocupada há mais de cinco anos e o estatuto garante a concessão de uso real de áreas públicas ocupadas por um período desses”, afirmou Prado.
Lei seca - Um tema bastante discutido no passado e que acabou esquecido é o fechamento dos bares às 23h para diminuir os problemas de Segurança em Mauá. O candidato a prefeito pelo PT, Oswaldo Dias, pretende retomar o assunto. “Vamos fazer cumprir a lei que ficou esquecida. Também vamos trabalhar a idéia de câmeras de segurança”, afirmou.
Diniz Lopes (PSDB) acredita em parceria com o governo estadual principalmente para a questão da Segurança nas divisas entre Mauá e Capital.
Chiquinho do Zaíra (PSB) promete aumentar o efetivo da Guarda Municipal e Mateus Prado (Psol) pensa em manter abertas de madrugada quadras esportivas no município para evitar a violência.
Esporte e Cultura - Esporte e Cultura, áreas muitas vezes esquecidas pelas administrações, também fazem parte das propostas de governo dos candidatos de Mauá. Qualquer que seja o vitorioso das urnas nas eleições de outubro, o próximo prefeito da cidade acredita que investimentos em equipamentos esportivos e culturais influenciam diretamente nas áreas sociais e diminuem os casos de violência.
Destinar 4% do orçamento para a Fundação Municipal de Cultura é uma das propostas do candidato do Psol, Mateus Prado. Para ele, investimentos em Esportes e Cultura também geram resultados relacionados à área de Segurança.
Francisco Carneiro (PSB), o Chiquinho do Zaíra, pretende construir três ginásios de esportes equipados nos bairros e criar um centro de educação integrada que incluirá salas para cursos de computação, piscinas e quadras para a prática de esportes além de locais destinados a teatro e eventos culturais. “Também vamos investir em convênios com entidades esportivas e culturais nos bairros”, disse Chiquinho.
De acordo com Oswaldo Dias (PT), ex-prefeito da cidade, o incentivo à participação da população em atividades esportivas será uma das prioridades. “Outra coisa que não está no plano de governo, mas é uma idéia ainda a ser discutida, é a criação de uma escola de música com o apoio do governo federal.”
Diniz Lopes (PSDB) acredita que Esporte e Cultura são áreas diretamente ligadas ao aspecto social. “E uma sociedade participativa é menos violenta. Integrações relacionadas a essas áreas combatem muito a violência e evita que os jovens vão de encontro às drogas”, afirmou Lopes.