Bancos quebrando pelo mundo. Bolsas caindo a níveis de dar frio na barriga. A crise assusta os mercados financeiros e as grandes corporações. Porém, no ABCD, as instituições ligadas ao mercado imobiliário, setor que causou a crise nos EUA, mantêm suas projeções para este ano e encaram cada notícia ruim com a sensação de que não foram afetados pela crise.Uma das mais otimistas é a Caixa Econômica Federal. De acordo com Everaldo Coelho da Silva, superintendente regional do banco no ABCD, a avaliação é de que o ritmo de financiamentos imobiliários ainda é positivo. “Esse volume vem apresentando crescimento substancial nos últimos meses. Nós financiamos desde o começo do ano R$ 460 milhões e ainda temos R$ 400 milhões em projetos em estudo para serem financiados até o final de 2008”, aponta.
Quem não se assustou, mesmo no olho do furacão da crise, e manteve o trabalho normalmente não se arrependeu. É o caso de Milton Bigucci, presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC). “No último final de semana, lançamos um empreendimento e estávamos com um pouco de receio. No final das contas, os próprios investidores apareceram para comprar, coisa que não acontecia há muito tempo. Manter o lançamento foi a melhor coisa que fizemos”, avalia Bigucci.
Observando o exemplo do mercado imobiliário, o setor conclui que, por enquanto, a crise está restrita ao mercado acionário e aos bancos. Nestes últimos, é fácil perceber os efeitos. Pelo menos três instituições privadas com atuação no Brasil aumentaram as taxas de juros para financiamento imobiliário ao primeiro sinal de crise, enquanto a Caixa Econômica Federal garante que não vai aumentar os seus, que já são os mais baixos do mercado.
De acordo com o superintendente regional da Caixa, a única possibilidade de acontecer algum tipo de retração inicial do setor imobiliário é se as construtoras deixarem de se interessar em investir na Região por conta da perda do poder de compra do consumidor. Na opinião de Everaldo Coelho Silva, isso não deverá acontecer. “Os últimos números do setor no ABCD são muito favoráveis e ainda é muito cedo para falar em recessão da economia.”
Para a população em geral, as notícias parecem ser mais alarmantes que a realidade. Enquanto preenchia os documentos de venda de seu imóvel em São Bernardo, o professor Eugenício Severiano da Silva refletia sobre a situação. “Fiquei um pouco preocupado com a crise. Mas percebi que está preocupado é quem tem muito dinheiro. Como não tenho, acho que são meus credores que estão preocupados”, ironizou.
Depois do susto, a casa própria – Após se separar do ex-marido, Renata de Mello Ciebra, supervisora de vendas do setor calçadista, voltou a morar com os pais no Bairro Demarchi, em São Bernardo. Lá, ela passou cerca de um ano, enquanto esperava um apartamento vagar no condomínio que desejava.
Quando a oportunidade apareceu, veio a crise norte-americana e a queda das bolsas. Com a crise, o susto.
“Teve um momento em que achei que não estaria fazendo um bom negócio, assumir uma dívida de tanto tempo em meio a uma crise, ao mesmo tempo que temia pela garantia do meu emprego. Depois de analisar a situação, tenho certeza de que a crise não vai me afetar”. Confiante, ela agora pode mudar de casa e trabalhar para pagar o financiamento de 30 anos oferecido pela Caixa.