Publicado por: mauanews | 16/11/2008

Preservação deve ir além de Prédios Centenários

 

Preservação deve ir além de Prédios Centenários  
   
  Vanessa Selicani – Jornal ABCD Maior  
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  Empecilhos para o progresso de uns, símbolo de cidadania para outros, os prédios históricos do ABCD lutam para continuar a fazer parte da Região. Na semana passada, um armazém ferroviário do começo do século passado teve as características alteradas em Ribeirão Pires, e uma das primeiras capelas de Mauá foi destruída. As edificações mais antigas da Região brigam por espaço com o avanço do mercado imobiliário de luxo e a chegada de novas indústrias. Convencer a população da importância de se preservar a história não é uma tarefa fácil para os membros de conselhos e historiadores de plantão.O ABCD tem 43 bens históricos e culturais tombados pelos conselhos municipais e estaduais. O título assegura o direito de não terem as principais características alteradas. Estudo realizado por pesquisadores da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), antigo Imes, com apoio do Consórcio Intermunicipal, mostrou que os bens que representam a Região estão em número bem maior, 1.500 apenas nos centros das sete cidades.

O estudo utiliza outros critérios para nomear os símbolos do ABCD, listando tudo na paisagem que é referência para a população. Desta forma, entram na lista símbolos muito distintos um dos outros, como propagandas em ruas dos centros, e o traçado da rua Oliveira Lima e a catedral Nossa Senhora do Carmo, em Santo André.

“Quando se fala em prédios históricos, as pessoas lembram sempre dos grandes casarões, que não existem no ABCD. Mas têm coisas modernas que a população se apropria, como a escultura do Saciolotto, no calçadão da Oliveira Lima, por exemplo”, explicou a coordenadora do estudo e professora da USCS, Silvia Passarelli.

A pesquisadora explica que preservar os bens culturais é uma questão de cidadania, em que os indivíduos se identificam com o espaço em que vivem. Para Silvia, o grande problema é que a Região ainda não se conhece. “As prefeituras não conhecem o patrimônio que têm. Não sabem o que fazer com isso tudo. As mudanças são mais rápidas que a velocidade dos técnicos em conhecer. Não é preciso congelar tudo, mas temos que abrir a discussão do que deve ser preservado”, lembrou.
No ABCD, apenas Santo André e São Bernardo têm Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural. Ribeirão Pires passou a discutir a criação do órgão na cidade depois da desastrosa reforma no armazém ferroviário e São Caetano criou uma comissão dentro do Centro de Memória, mas sem poder para tombamento.

Membro do conselho de São Bernardo, Simone Csifoni conta que a maior dificuldade é convencer os proprietários dos imóveis tombados que o título não trará prejuízos. “Há um certo incômodo em relação ao proprietário, que acredita que o imóvel irá desvalorizar. Ele não entende que é a memória daquele espaço, daquela população. Futuras gerações nascem sem ter noção do que era o local antes. Falta trabalho dos próprios conselhos em mostrar que é positiva a conservação, que pode atrair turismo, lazer”, destacou.

Prédios esperavam tombamento – O armazém ferroviário de Ribeirão Pires, modificado para receber uma central de monitoramento da GCM (Guarda Civil Municipal), e a Capela Nossa Senhora Aparecida e São Sebastião, demolida para dar lugar a uma indústria próxima ao Rodoanel, eram sondadas para entrar em listas de tombamento. O prédio de Ribeirão Pires chegou a receber o título provisoriamente, mas o processo foi cancelado durante a gestão da ex-prefeita Maria Inês (2000-2004). A nova administração prometeu restaurar o armazém, mas acabou instalando rampas de acesso e invadindo o terreno com a instalação da nova rodoviária. Historiadores do Instituto do Patrimônio do ABC acreditam que o prédio seja de 1880.

A capela de Mauá foi destruída no último dia 27 de Outubro. O prédio, erguido em 1915, era a capela mais antiga da cidade ainda em pé. De acordo com a professora de artes do Museu Barão de Mauá, Luciana Frederico Lopez, a importância histórica do prédio era conhecida pelo conselho municipal. “O tombamento da capela estava sendo discutida no conselho, mas foram poucas reuniões esse ano e o processo não progrediu”.

 
   
   

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