Sem conseguir eleger sucessores, os prefeitos de São Bernardo e Mauá, William Dib (PSB) e Leonel Damo (PV), respectivamente, decidiram presentear os sucessores com uma herança nada agradável. Dib e Damo estão deixando verdadeiras “cascas de banana” para as futuras Administrações, em resultados que podem resultar em verdadeiras “bombas-relógio”.Em São Bernardo, Dib, em parceria com os vereadores da bancada de sustentação, aprovaram um aumento escalonado de 19% na tarifa de água e o uso de patrimônio público para o pagamento de dívidas com o Fuprem (Fundo de Previdência Municipal de São Bernardo). William Dib também quer impedir, pelo menos no primeiro ano de governo, que o prefeito eleito Luiz Marinho (PT) implemente as mudanças previstas em seu plano de governo e que o levaram à vitória nas urnas.
Como contava com a vitória de seu apadrinhado Orlando Morando (PSDB), Dib enviou à Câmara a peça orçamentária para 2009, ainda durante as eleições, com a possibilidade de remanejamento de verba de 30% pela futura Administração. Após ver que seu adversário Marinho foi escolhido pela população para governar a cidade, Dib agora quer limitar o remanejamento a 5% e dificultar a gestão do prefeito eleito.
Pouca cidadania – “Essas ‘cascas de banana’ demonstram a situação de pouca cidadania em que estão acostumados a viver os antigos políticos. A conduta de Dib afeta diretamente a população carente”, afirmou o professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o sociólogo Paulo Douglas Barsotti.
Já em Mauá, a saúde pública foi simplesmente abandonada após o fim das eleições. Damo, que não conseguiu eleger Francisco Carneiro, o Chiquinho do Zaira (PSB), como seu sucessor, já cortou 200 funcionários do Programa Saúde da Família, reduziu em 60% a equipe de combate à dengue e deixou acabar o estoque de medicamentos públicos.
Enquanto sucateava a Saúde, Damo jogou a ‘casca de banana’ para o prefeito eleito Oswaldo Dias (PT): conseguiu aprovar na Câmara a obrigatoriedade da realização do Carnaval, tentando forçar o petista a onerar os cofres públicos com a festa.
“Quando os futuros prefeitos assumirem, devem denunciar a prática de seus antecessores à população que o elegeu”, acredita a socióloga e professora da Fundação Santo André, Angélica Lovatto.
Oswaldo já afirmou que o Carnaval não é prioridade para a sua gestão e que poderá vetar a lei que o obriga a realizar a festa durante sua gestão.
Avamileno dá exemplo – Em Santo André, o orçamento para o ano de 2009 já foi aprovado pela Câmara sem sofrer nenhuma interferência. Mesmo sem eleger seu sucessor, o prefeito João Avamileno (PT), que encaminhou a peça orçamentária ao Legislativo com remanejamento de 30%, defendeu publicamente a manutenção do índice e afirmou: “Não é porque eu perdi que deve mudar”.
De acordo com Avamileno, se os 30% de remanejamento foram suficientes para sua gestão, também seriam para o prefeito eleito Aidan Ravin (PTB). “Não poderíamos travar o processo de desenvolvimento da cidade. Agora cabe aos vereadores fiscalizarem no ano que vem os investimentos de Aidan”, garantiu.
A emenda que havia sido apresentada pela bancada do PT, que restringia a relocação de verbas a 10% foi retirada antes da votação da peça, na última terça-feira (25/11). Uma outra emenda, de autoria do vereador Marcos Medeiros (PSDB), que ampliava o remanejamento a 50%, também foi retirada.
“Avamileno teve uma postura reta e íntegra, além de ser uma pessoa de bom senso. Como prefeito, ele manteve seus compromissos firmes com a população de Santo André. É uma postura completamente distinta do prefeito William Dib”, afirmou Barsotti. (Júlio Gardesani, Gustavo Pinchiaro e Karen Marchetti).