por Diego Sartorato – JORNAL BOM DIA ABCD
A equipe do BOM DIA foi recebida pelo prefeito de Mauá, Oswaldo Dias (PT), para fazer uma avaliação de seu trabalho frente à administração municipal. Mas o relacionamento da cidade com os governos estadual e federal chama até mais atenção. Embora tenha conquistado um Ambulatório de Especialidades Médicas com José Serra (PSDB), Dias ainda não conseguiu equalizar com o governador a ajuda necessária para recuperar o sucateado Hospital Municipal José Radamés Nardini. E mais: Dias teve de ver as obras do Rodoanel ocuparem, sem aviso prévio, o terreno logo atrás do Paço Municipal que estava sendo negociado como sede do Campus de Mauá da UFABC (Universidade Federal do ABC). A maior afinidade com o Governo Federal é evidente, mas sem resultados visíveis no primeiro ano de governo. Com os prazos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) perdidos, ele investe no lobby com o Ministério da Saúde para reforçar o atendimento. Dias fala que ainda neste ano fará um concurso público para cerca de 600 cargos. Na avaliação do senhor, quais foram os maiores avanços e dificuldades nesses 10 meses de governo? Oswaldo Dias – Na verdade, por incrível que pareça, encontramos uma situação pior neste mandato do que em 1997. Estamos pagando as dívidas antigas que nós mesmos renegociamos somadas a outras deixadas pelo governo anterior. São R$ 217 milhões de restos a pagar do ano passado. Só conseguimos renegociarmos R$ 70 milhões disso. Mesmo assim, conseguimos fazer uma força-tarefa pela manutenção e estamos planejando obras, como mais três escolas. Já são duas em andamento, então serão cinco novas. Mas é um momento de reorganização. O que há planejado para o Hospital Nardini? Vocês conseguiram aumentar os repasses do SUS. E por parte da prefeitura e do governo do Estado? Oswaldo – Estamos iniciando as obras do espaço onde ficará o AME (Ambulatório de Especialidades Médicas) que o governo vai manter aqui e que vai ter um impacto positivo na demanda do Nardini. Ligamos a questão da saúde na cidade a um sistema que passa pelo restabelecimento do Programa Saúde da Família, a construção de UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), a AME e o Nardini, depois de reformas que devem nos custar R$ 14 milhões e para as quais estamos buscando recursos. Tem sido fácil buscar recursos do governo federal? Mauá conseguirá recuperar investimento do PAC? Oswaldo – Os prazos do PAC já passaram. Temos um projeto, que já pleiteávamos desde muito antes, para urbanização no Oratório. E um estoque de projetos que temos. Mas o governo federal só vai liberar mais recursos para essa obra se outras cidades descumprirem seus projetos próprios e sobrar investimento para nós. Estamos na rabeira do PAC. Há um projeto no “Minha Casa, Minha Vida”, com 800 moradias no Parque Jussara. Pelo menos a negociação pela UFABC em Mauá tem caminhado? Oswaldo – Nós estamos aguardando a avaliação da área que sobrou do INSS (Instituto Nacional de Segurança Social), mas estamos oferecendo uma nova área. Temos pressa. Não podemos passar de 2010 sem nenhuma medida concreta pela vinda da UFABC para cá. Por que uma nova área? Oswaldo – A Dersa pegou a melhor parte do terreno que queríamos para a UFABC e vai fazer uma rotatória ali, na interligação da Papa João XXIII com a Jacu Pêssego. Era exatamente a área em negociação. Não houve comunicação à prefeitura? Oswaldo – A Dersa põe a máquina primeiro e depois resolve. Falei com representantes do governo federal sobre isso, mas como eles têm participação nas obras do Rodoanel, não viram irregularidade nisso. Onde é o novo terreno? Oswaldo – Atrás do Shopping, no Centro. É menor e que terá maior impacto no trânsito, mas é viável para a instalação do Campus. Há outros problemas em relação ao Rodoanel? Oswaldo – Tem problemas para acertar. Tem muita movimentação de terra na cidade. Tem umas duas ou três vias que vão ser recapeadas, mas não resolve o problema do trânsito local. Nosso trânsito já é caótico e vai acabar virando caminho de passagem tanto por quem passa diretamente pelo Rodoanel quanto por quem procura atalhos. É bom porque atrai investimentos, e nós precisamos buscar parcerias para aproveitar ao máximo. Ainda estamos procurando uma forma de reunir recursos para fazer marginais que aliviem o trânsito por fora do Centro, podemos negociar trocas de terrenos para outros projetos. Mas, apesar disso, o Dersa levanta muita terra onde está fazendo obras. Mesmo com a manutenção que o Governo do Estado faz, gera muito desconforto na cidade. Acaba criando ainda mais problemas de manutenção da cidade. Oswaldo – Mauá já está mal-cuidada. Os buracos nas ruas, por exemplo, são muitos. Conseguimos fazer uma operação tapa-buracos, muito precariamente, porque no começo do ano chovia bastante. E depois, mesmo fora de época, veio chuva permanente. Outro problema são os bota-fora para nos livrarmos de lixo e entulho. Não era feito desde 2004, quando saímos daqui. E nós mesmos ainda não conseguimos fazer nenhum bota-fora neste ano, porque não temos áreas adequadas para levar o que recolhermos. Precisa contratar. Vamos acabar fazendo sem ter local adequado para recolher o lixo e o entulho, mas é uma coisa que deixa a cidade feia. Temos falta até de funcionários para fazer esses serviços, por isso vamos fazer concurso público em breve. Será um concurso público para que áreas? Oswaldo – Pretendemos fazer ainda neste ano um grande concurso público para diversas áreas. A prefeitura precisa ganhar corpo para poder trabalhar. Da forma como está, por exemplo, a Secretaria de Obras é praticamente só o secretário. Se quero fazer um projeto para construir preciso contratar uma empresa só para isso. Assim é inviável. E temos as escolas em construção, mais as que pretendemos construir, que vão precisar de professores. Temos muitos temporários na rede, e terceirizados em todas as áreas. Então, será um grande concurso com vagas para vigia, arquiteto, fiscal, professores, diversas áreas. Não sei dizer todas, vamos fechar isso. Seriam quantas vagas? Oswaldo – É difícil dizer porque ainda não terminamos o planejamento disso. Alguma coisa em torno de 600 vagas, mais ou menos. Como os concursos públicos têm validade de dois anos, vamos fazer já o concurso e ir chamando as pessoas conforme houver necessidade e possibilidade de suprir as vagas abertas. Isso ao longo desses dois anos. Realizar um concurso assim é possível, com as dificuldades financeiras? Oswaldo – Com planejamento, sim. Agora mesmo temos uma perspectiva muito positiva em relação ao endividamento do município. Estamos trabalhando com um escritório de advocacia, que foi até contratado pela administração anterior, para rever uma dívida que temos que chega a R$ 550 milhões, e que é completamente irregular. É referente a uma desapropriação que eu mesmo tentei investigar quando era vereador. Se reduzirmos e eliminarmos essa dívida, poderíamos voltar a receber o Fundo de Participação dos Municípios e ganhar uma certidão negativa de débitos.